Tudo muda rápido, não é mesmo? A expressão feliz ano novo estava a ganhar sentido para milhões de brasileiros beneficiados pela política econômica que os puxou para cima da linha da pobreza. A frase anteriormente repetida mecanicamente passou a ser verdadeira para muita gente. A felicidade existia e se amparava no consumo. Mas tristeza não tem fim, felicidade sim, como dizia o poeta.

Já em 2014, por ocasião da 15ª. Reunião do Conselho Consultivo do World Trade Center (WTC), Maurício Molan, economista-chefe do banco Santander, em seu diagnóstico das tendências e perspectivas para 2014/2015, alertava sobre a necessidade de imediato ajuste econômico, logo após a eleição presidencial, que, mesmo assim, não livraria o PIB de um sério comprometimento. No evento, Rogerio Bonilha alertou para o fato de que as pesquisas de opinião estavam sinalizando crescente preocupação dos eleitores e consumidores com a queda do poder de compra, alta de preços e endividamento das famílias, embora os índices de inadimplência fossem relativamente baixos. Em resposta a Bonilha, Molan ponderou que, de fato, a inflação estava já impactando negativamente o modelo de desenvolvimento baseado no consumo e que a inadimplência tenderia a se ampliar.

O fato é que as medidas impopulares, apregoadas pelos economistas mais sagazes do país, não foram tomadas naquele ano eleitoral e, infelizmente, na sequencia, decisões econômicas mais efetivas não aconteceram. No seu lugar, descontentamento e raiva nas ruas e na mídia social.

As pesquisas de opinião continuam a denunciar uma realidade preocupante: os entrevistados revelam temor ao desemprego e dificuldade frente a elevação de preços, especialmente dos constatados nos supermercados. Agora os sorrisos vão se dissipando e o sentido da frase feliz ano novo vai novamente se desvanecendo.

A sonhada tríade trabalho-família-vida perde seu equilíbrio e volta a ter como principal pilar apenas a labuta diária.

Sintoma da crise: Wal-Mart fecha lojas e consumidores acotovelam-se para obter alimentos a preço baixo.


Deixe seu Comentário