Na política brasileira, os bastidores de uma campanha eleitoral são povoados por figuras curiosas, muitas vezes desconhecidas do grande público. Além dos tradicionais “companheiros” — colegas de partido que trocam experiências e estratégias — existe uma tropa auxiliar que merece destaque: os campanheiros e os campainheiros.

Campanheiro: é o profissional encarregado de organizar a campanha. Ele articula eventos, coordena equipes e desenha estratégias. Muitos já fazem disso sua profissão — conhecem como ninguém o ritmo frenético das eleições.

Campainheiro: o termo tem origem na prática religiosa de anunciar procissões tocando sinos ou campainhas. Nas campanhas, essa função se traduz em panfletagem e na divulgação da presença do candidato nas ruas, quase como uma "procissão política" em busca de votos.

Experiência antiga: Muitos candidatos ainda dependem exclusivamente das experiências de campanhas passadas e dos palpites de seus companheiros, campanheiros e campainheiros do presente. Porém, repetir fórmulas antigas pode gerar resultados ineficientes ou até desastrosos. O mundo da política mudou.

Pesquisa eleitoral é ferramenta essencial: Ela substitui boatos, traz conhecimento atualizado, identifica riscos súbitos e aponta soluções que geram estabilidade em meio à incerteza. Mais do que isso: suas informações neutras e anônimas fortalecem laços de confiança entre candidatos, mentores e equipe.

Uma campanha bem estruturada, conectada com a realidade e respaldada por pesquisas sérias, ganha força e resiliência para convencer o eleitor — especialmente em tempos em que a dúvida impera e o voto se torna cada vez mais estratégico.

Seja pelas mãos de entrevistadores ou pela inteligência dos robochats, a pesquisa eleitoral é o elo mais direto entre quem quer governar e quem vai escolher.



Apesar da relevância das pesquisas políticas mais aprofundadas, a maioria dos eleitores ainda se limita a acompanhar apenas os números das intenções de voto. Essa limitação não é fruto do acaso, mas de uma série de fatores que envolvem mídia, educação política, acesso à informação e interesses coletivos. Nesta última postagem da série, baseada na teoria de Crozier, na proximidade das eleições de 2026, vamos refletir sobre os motivos que mantêm os jogos políticos longe do olhar do eleitor comum.

1. Foco da Mídia

A mídia tende a dar mais destaque às pesquisas de intenção de voto porque são mais fáceis de entender e geram manchetes atraentes. Percentuais de votos são informações diretas e imediatas que podem ser facilmente comunicadas ao público.

2. Complexidade das Pesquisas

Pesquisas que analisam estratégias políticas, são mais complexas e requerem um entendimento mais profundo de ciência política e sociologia. Essas pesquisas envolvem conceitos e terminologias que podem não ser familiares ao público em geral.

3. Interesse Público

O público em geral pode ter mais interesse em saber quem está liderando nas pesquisas de intenção de voto do que em entender as estratégias políticas e os jogos de poder que ocorrem nos bastidores. A competição e a "corrida" eleitoral são mais atraentes para muitos eleitores.

4. Acesso Integral aos Resultados

Pesquisas mais detalhadas e análises estratégicas podem não ser tão amplamente divulgadas ou acessíveis ao público. Muitas vezes, essas informações são publicadas em revistas acadêmicas, relatórios especializados ou são utilizadas sigilosamente por campanhas e partidos políticos.

5. Tempo e Recursos

Eleitores podem não ter tempo ou recursos para buscar e entender pesquisas mais detalhadas. As pesquisas de intenção de voto são rápidas e fáceis de consumir, enquanto análises mais profundas exigem mais tempo e esforço para serem compreendidas.

6. Educação Política

Esses fatores contribuem para que as pesquisas de intenção de voto sejam mais conhecidas e discutidas pelo público em geral, enquanto pesquisas mais detalhadas sobre estratégias políticas e jogos de poder permanecem menos acessíveis e compreendidas.

Conclusão

Compreender os jogos políticos e as estratégias dos candidatos exige mais do que acompanhar pesquisas superficiais — exige curiosidade, acesso à informação e educação política. Ao ampliar esse olhar, o eleitor se torna mais consciente e capaz de participar ativamente da construção democrática. Que esta série de três artigos tenha sido um convite à reflexão e ao engajamento político mais profundo.

A maioria dos eleitores parece se contentar com o jogo dos percentuais.


Mercosul no seu aniversário de 30 anos.  Esse Mercosul tão distante das necessidades e tão próximo das aspirações. Para comemorar, alguns eventos virtuais. Um deles, recomendamos, em portugñol, enfoca o Mercosul Político. Um interessante resultado da parceria entre @isapeoficial e a @REDAPPE, que reuniu especialistas e autoridades. O ISAPE é um think tank brasileiro focado em estudos estratégicos e relações internacionais. 

As exposições foram coordenadas por Augusto C. Dall’Agnol @acdagnol seu vice-presidente. Os depoimentos envolveram questões da integração política, econômica e social da região – voltados à Argentina, Brasil, Uruguai y Paraguai.  

Avaliaram a premência de concretização de políticas públicas regionais, mas reconheceram as dificuldades históricas de criar e compartilhar experiências e boas práticas de cooperação. Para conferir a gravação do evento sobre os 30 anos do Mercosul, acesse: https://www.youtube.com/watch?v=YGhg6Cmexzc

MERCOSUL - esperanças vivas aos 30 anos 



Sim, tudo pelo poder e popularidade. Existe a possibilidade de concepção, planejamento e lançamento de candidatos como se fossem produtos. O marketing eleitoral, na prática, tem por fonte o conhecimento do marketing comercial. Mesmo os políticos que se firmaram de forma espontânea e natural, acabam acatando correções de imagem pela aplicação de técnicas de branding usadas para produtos. A orientação é dada por pesquisas quantitativas e qualitativas que geram indicadores de aceitação ou rejeição de determinadas características do político ou candidato. As correções acontecem via mudanças na comunicação e no comportamento. E uma repaginada no rosto também ajuda... Esses artificialismos são aceitáveis? O eleitor vê benefícios? Fale conosco: contato360@bonilha.com.br

Nas eleições, a disputa entre concorrentes autênticos e artificiais.
Eleições: disputa entre concorrentes espontâneos e artificiais.



A disseminação dos grupos focais online é crescente não apenas em razão do impacto viral. Há vantagens, cada vez mais percebidas, em comparação com o método tradicional. A primeira é a da conveniência: as pessoas participam de discussões sobre mercado, política e qualquer outro assunto sem saírem de casa. Anteriormente, precisavam alcançar um local de reunião, especial ou improvisado em uma sala de hotel, nem sempre próximo.  Frio, chuva e horário eram dificuldades adicionais. Hoje é possível recrutar participantes provenientes de locais bem distantes, sem problema. A tecnologia os aproxima, evitando perda de tempo e atrasos. 

REPRESENTATIVIDADE
Quando seria possível realizar um grupo de discussão, por exemplo, com produtores rurais de diferentes locais?  Tornou-se fácil a reunião de moradores de meia dúzia de cidades de uma região metropolitana, para discutir sua integração. Assim como equilibrar a presença de representantes de bairros equidistantes de uma cidade. E trazer à mesa virtual membros das classes altas, com menor disponibilidade para esse tipo de pesquisa. 

AMBIENTES: FÍSICO X VIRTUAL
As salas de dinâmica grupal eram conhecidas pelos espelhos, através dos quais técnicos e contratantes da pesquisa observavam, ocultos, o andamento da reunião. Com a evolução, basta o envio de um link para liberar o acompanhamento de onde estiverem sem perda de conforto.
Ao longo de décadas de uso de espelhos, descobriu-se que eles criam um ambiente padronizado, artificial e estranho, onde os participantes são inseridos. A espontaneidade, ponto crucial da metodologia qualitativa, reduz-se e até constrangimento é gerado. Essas reações ao ambiente de laboratório deixam de acontecer quando o convidado encontra-se acomodado no seu próprio território.

CUIDADOS
A internet pode provocar desvantagem, conforme o provedor ou a região. A deficiência da internet pode interferir no andamento da sessão. O ideal é que o participante disponha de acesso com qualidade razoável e um bom notebook, embora possa usar um celular atualizado. A falta de alfabetização digital não é mais problema. A maioria da população já aprendeu a conversar por meio de recursos digitais e manipula vídeos.  Muitos conhecem a educação à distância e vários trabalham em home office. Esses já sabem que o local para reuniões deve ser silencioso, sem interferências. 

QUEM PESQUISA, SABE
O Instituto Bonilha planeja e executa pesquisas quantitativas e qualitativas com o objetivo de conhecer e  compreender cientificamente os fatos e as tendências da realidade social, política e econômica. Utiliza métodos e técnicas clássicas associadas às  contemporâneas. Pergunte: contato360@bonilha.com.br

Pesquisas qualitativas (profundidade) diferem das quantitativas (extensão), mas se complementam na descoberta de caminhos para o sucesso (insights).



Os institutos de pesquisa que dominam os métodos e técnicas de conversação remota com os eleitores são os únicos que podem conduzir estudos eleitorais rápidos, confiáveis e personalizados - base para a criação de estratégias de sucesso que garantem ao político a principal cadeira da prefeitura.

Indispensáveis para a modelagem de diferenciais para as campanhas eleitorais e para a criação de proposições a serem feitas pelos candidatos, as pesquisas eleitorais, conduzidas como nos "velhos tempos", por meio de contatos pessoais, tornaram-se um serviço raro e demorado, prejudicadas pela duração e consequências da pandemia. Com isso, até mesmo os eleitores perdem uma importante fonte de informação sobre o andamento das eleições no seu município, sobre o potencial dos candidatos a prefeito e a respeito das suas pretensões.

Pesquisa qualitativa. Grupos focais remotos. Todo mundo na telinha.Adicionar legenda