No Instituto Bonilha, buscamos continuamente compreender as dinâmicas complexas do comportamento eleitoral no Brasil. Para isso, adotamos a teoria dos sistemas sociais de Niklas Luhmann como uma ferramenta analítica central em alguns de nossos estudos mais aprofundados. Essa abordagem nos permite ir além das explicações simplistas e personalistas, oferecendo uma lente precisa para analisar como os diversos subsistemas sociais — como a política, a mídia e a economia — interagem e influenciam as decisões eleitorais. 

A teoria dos sistemas sociais de Luhmann oferece uma lente analítica de alta precisão para examinar as eleições presidenciais brasileiras sem descambar para o moralismo, o voluntarismo ou o personalismo político. Ao afastar a premissa de que a política é movida prioritariamente por "vontades individuais" ou por uma "luta de classes linear", a sociologia luhmanniana permite compreender a eleição como um processo interno do sistema político que se mantém por si mesmo, atravessado por interações estruturais com os meios de comunicação, o direito e a economia.

A Função do Subsistema Político e o Código Binário 
Na perspectiva luhmanniana, a sociedade moderna é funcionalmente diferenciada em subsistemas autônomos. O subsistema político existe para produzir decisões vinculantes para toda a sociedade. 
  • O Código Governo/Oposição (ou Poder/Não-Poder): A eleição presidencial é o mecanismo formal de distribuição do poder político. O pleito não serve para "descobrir a verdade" ou "alcançar o bem comum", mas para decidir quem assume o código de governo e quem fica na oposição.
  • A Redução de Complexidade: A corrida presidencial condensa a imensa complexidade das demandas sociais em uma escolha simplificada (candidato A vs. candidato B), permitindo que o sistema continue operando de forma estável.

A Mídia de Massas e a Construção da Realidade Eleitoral
Em A Realidade dos Meios de Comunicação, Luhmann aponta que aquilo que sabemos sobre a sociedade nos chega via meios de difusão. No contexto brasileiro contemporâneo, isso abarca a mídia tradicional e os ecossistemas digitais (redes sociais e aplicativos de mensagens).
  • Acoplamento Estrutural Política-Mídia: A política precisa da mídia para adquirir visibilidade; a mídia precisa do conflito político para gerar atenção e "informação" (que rapidamente se torna não-informação).
  • Escândalos e Temas de Campanha: A eleição é pautada por "irritações" que a mídia inflige ao sistema político. Escândalos de corrupção ou pautas morais operam como seletores de atenção, forçando os candidatos a reestruturar suas estratégias de comunicação.

Acoplamento com o Sistema Jurídico (Judicialização e Operação)
A atuação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) nas eleições brasileiras exemplifica o acoplamento estrutural entre o sistema político e o sistema jurídico. (A intervenção judicial busca evitar a "corrupção do código" político, por exemplo, o uso irrestrito da máquina pública para anular a oposição), embora a hipertrofia do Judiciário possa gerar uma desestabilização recíproca quando a lógica jurídica passa a ditar quem pode ou não concorrer.

Desafios Sistêmicos no Cenário Brasileiro
  • Polarização e Inclusão/Exclusão: A hiperpolarização pode ser lida como um fechamento excessivo de blocos políticos, onde a comunicação se recusa a aceitar a contingência (a possibilidade de o outro lado estar certo ou ser legítimo).
  • Acoplamento com a Economia: Promessas fiscais, expectativas do mercado financeiro e a reação das bolsas atuam como ruídos e restrições econômicas (terceiro subsistema) que delimitam as margens de manobra dos programas eleitorais.

A grande contribuição de Luhmann para analisar a eleição presidencial no Brasil consiste em despersonalizar o debate: em vez de focar apenas nas virtudes ou defeitos morais dos candidatos, a teoria revela como as estruturas comunicativas, os algoritmos e os ritos institucionais condicionam, limitam e viabilizam o resultado político.

Acoplamento estrutural entre o sistema político e o sistema jurídico



No íntimo do pesquisador das ciências humanas e sociais, o equilíbrio entre Yang e Yin se transforma numa coreografia psicológica que sustenta sua própria capacidade de compreender o mundo. O Yang aparece como aquela força que o impele a entrar em campo, a entrevistar, observar, registrar, interpretar. É o impulso que o faz atravessar cidades, comunidades, arquivos, memórias; que o leva a mergulhar em histórias de vida, conflitos, desigualdades, afetos e silêncios. É a energia que o convence de que cada gesto humano — do mais grandioso ao mais banal — guarda uma pista sobre o funcionamento da sociedade.

Mas o Yin é o que o mantém inteiro. Ele surge quando o pesquisador percebe que não pode carregar o mundo sozinho. É o momento em que ele se recolhe para elaborar o impacto emocional de ouvir relatos de dor, de testemunhar injustiças, de lidar com contradições que não se resolvem. É o Yin que o ensina a escutar sem se dissolver, a interpretar sem violentar, a reconhecer que o outro não é um objeto de estudo, mas um sujeito vivo, complexo, imprevisível. É o Yin que o lembra de que compreender o humano exige cuidado — com o outro e consigo mesmo.

E assim, entre o impulso investigativo e a escuta sensível, o pesquisador das humanidades se constrói. Ele sabe que suas descobertas — sejam elas sobre a dinâmica de uma comunidade ribeirinha, sobre a memória de trabalhadores urbanos, sobre a linguagem que molda identidades ou sobre os rituais que sustentam vínculos sociais — nascem desse vaivém entre ação e contemplação. Sabe também que o desespero diante das etapas de um projeto não é apenas técnico: é existencial. Porque pesquisar o humano é, inevitavelmente, confrontar-se com a própria humanidade.

No fundo, o pesquisador vive num território onde céu, terra e mar são metáforas internas: o céu das teorias que o inspiram, a terra dos contextos concretos que o desafiam, o mar profundo das emoções e significados que ele precisa navegar. E é no equilíbrio entre Yang e Yin — entre o rigor e a sensibilidade, entre o método e a empatia — que ele encontra a força para seguir investigando o que somos, o que fazemos e o que ainda podemos ser.

Yang e Yin: a dança silenciosa que sustenta quem investiga o mundo.


Em 2026, o Tracking Research ganha importância ainda maior. Acompanhar diariamente as opiniões e preferências do eleitorado é decisivo para orientar campanhas bem-sucedidas.

O que é Tracking Research?

Tracking Research é o acompanhamento diário e online da percepção dos eleitores. Com dados em tempo real, candidatos podem avaliar rapidamente a recepção de suas mensagens e ajustar suas estratégias. Assim, as campanhas respondem com agilidade às mudanças na opinião pública.

Por que o Tracking Research é indispensável nas eleições?

Monitoramento de opiniões: mostra como a percepção dos eleitores muda ao longo da campanha.

Ajustes estratégicos: permite que candidatos e partidos revisem mensagens e ações com base em dados atualizados.

Identificação de tendências: ajuda a antecipar cenários e a reconhecer os temas mais relevantes para o eleitorado.

Exemplo

O gráfico compara o desempenho diário de dois candidatos fictícios e mostra a evolução dos percentuais de voto durante sete dias. 

Os dados são apenas ilustrativos e não correspondem a uma pesquisa real.




Na política brasileira, os bastidores de uma campanha eleitoral são povoados por figuras curiosas, muitas vezes desconhecidas do grande público. Além dos tradicionais “companheiros” — colegas de partido que trocam experiências e estratégias — existe uma tropa auxiliar que merece destaque: os campanheiros e os campainheiros.

Campanheiro: é o profissional encarregado de organizar a campanha. Ele articula eventos, coordena equipes e desenha estratégias. Muitos já fazem disso sua profissão — conhecem como ninguém o ritmo frenético das eleições.

Campainheiro: o termo tem origem na prática religiosa de anunciar procissões tocando sinos ou campainhas. Nas campanhas, essa função se traduz em panfletagem e na divulgação da presença do candidato nas ruas, quase como uma "procissão política" em busca de votos.

Experiência antiga: Muitos candidatos ainda dependem exclusivamente das experiências de campanhas passadas e dos palpites de seus companheiros, campanheiros e campainheiros do presente. Porém, repetir fórmulas antigas pode gerar resultados ineficientes ou até desastrosos. O mundo da política mudou.

Pesquisa eleitoral é ferramenta essencial: Ela substitui boatos, traz conhecimento atualizado, identifica riscos súbitos e aponta soluções que geram estabilidade em meio à incerteza. Mais do que isso: suas informações neutras e anônimas fortalecem laços de confiança entre candidatos, mentores e equipe.

Uma campanha bem estruturada, conectada com a realidade e respaldada por pesquisas sérias, ganha força e resiliência para convencer o eleitor — especialmente em tempos em que a dúvida impera e o voto se torna cada vez mais estratégico.

Seja pelas mãos de entrevistadores ou pela inteligência dos robochats, a pesquisa eleitoral é o elo mais direto entre quem quer governar e quem vai escolher.



Apesar da relevância das pesquisas políticas mais aprofundadas, a maioria dos eleitores ainda se limita a acompanhar apenas os números das intenções de voto. Essa limitação não é fruto do acaso, mas de uma série de fatores que envolvem mídia, educação política, acesso à informação e interesses coletivos. Nesta última postagem da série, baseada na teoria de Crozier, na proximidade das eleições de 2026, vamos refletir sobre os motivos que mantêm os jogos políticos longe do olhar do eleitor comum.

1. Foco da Mídia

A mídia tende a dar mais destaque às pesquisas de intenção de voto porque são mais fáceis de entender e geram manchetes atraentes. Percentuais de votos são informações diretas e imediatas que podem ser facilmente comunicadas ao público.

2. Complexidade das Pesquisas

Pesquisas que analisam estratégias políticas, são mais complexas e requerem um entendimento mais profundo de ciência política e sociologia. Essas pesquisas envolvem conceitos e terminologias que podem não ser familiares ao público em geral.

3. Interesse Público

O público em geral pode ter mais interesse em saber quem está liderando nas pesquisas de intenção de voto do que em entender as estratégias políticas e os jogos de poder que ocorrem nos bastidores. A competição e a "corrida" eleitoral são mais atraentes para muitos eleitores.

4. Acesso Integral aos Resultados

Pesquisas mais detalhadas e análises estratégicas podem não ser tão amplamente divulgadas ou acessíveis ao público. Muitas vezes, essas informações são publicadas em revistas acadêmicas, relatórios especializados ou são utilizadas sigilosamente por campanhas e partidos políticos.

5. Tempo e Recursos

Eleitores podem não ter tempo ou recursos para buscar e entender pesquisas mais detalhadas. As pesquisas de intenção de voto são rápidas e fáceis de consumir, enquanto análises mais profundas exigem mais tempo e esforço para serem compreendidas.

6. Educação Política

Esses fatores contribuem para que as pesquisas de intenção de voto sejam mais conhecidas e discutidas pelo público em geral, enquanto pesquisas mais detalhadas sobre estratégias políticas e jogos de poder permanecem menos acessíveis e compreendidas.

Conclusão

Compreender os jogos políticos e as estratégias dos candidatos exige mais do que acompanhar pesquisas superficiais — exige curiosidade, acesso à informação e educação política. Ao ampliar esse olhar, o eleitor se torna mais consciente e capaz de participar ativamente da construção democrática. Que esta série de três artigos tenha sido um convite à reflexão e ao engajamento político mais profundo.

A maioria dos eleitores parece se contentar com o jogo dos percentuais.


Mercosul no seu aniversário de 30 anos.  Esse Mercosul tão distante das necessidades e tão próximo das aspirações. Para comemorar, alguns eventos virtuais. Um deles, recomendamos, em portugñol, enfoca o Mercosul Político. Um interessante resultado da parceria entre @isapeoficial e a @REDAPPE, que reuniu especialistas e autoridades. O ISAPE é um think tank brasileiro focado em estudos estratégicos e relações internacionais. 

As exposições foram coordenadas por Augusto C. Dall’Agnol @acdagnol seu vice-presidente. Os depoimentos envolveram questões da integração política, econômica e social da região – voltados à Argentina, Brasil, Uruguai y Paraguai.  

Avaliaram a premência de concretização de políticas públicas regionais, mas reconheceram as dificuldades históricas de criar e compartilhar experiências e boas práticas de cooperação. Para conferir a gravação do evento sobre os 30 anos do Mercosul, acesse: https://www.youtube.com/watch?v=YGhg6Cmexzc

MERCOSUL - esperanças vivas aos 30 anos 



Sim, tudo pelo poder e popularidade. Existe a possibilidade de concepção, planejamento e lançamento de candidatos como se fossem produtos. O marketing eleitoral, na prática, tem por fonte o conhecimento do marketing comercial. Mesmo os políticos que se firmaram de forma espontânea e natural, acabam acatando correções de imagem pela aplicação de técnicas de branding usadas para produtos. A orientação é dada por pesquisas quantitativas e qualitativas que geram indicadores de aceitação ou rejeição de determinadas características do político ou candidato. As correções acontecem via mudanças na comunicação e no comportamento. E uma repaginada no rosto também ajuda... Esses artificialismos são aceitáveis? O eleitor vê benefícios? Fale conosco: contato360@bonilha.com.br

Nas eleições, a disputa entre concorrentes autênticos e artificiais.
Eleições: disputa entre concorrentes espontâneos e artificiais.



A disseminação dos grupos focais online é crescente não apenas em razão do impacto viral. Há vantagens, cada vez mais percebidas, em comparação com o método tradicional. A primeira é a da conveniência: as pessoas participam de discussões sobre mercado, política e qualquer outro assunto sem saírem de casa. Anteriormente, precisavam alcançar um local de reunião, especial ou improvisado em uma sala de hotel, nem sempre próximo.  Frio, chuva e horário eram dificuldades adicionais. Hoje é possível recrutar participantes provenientes de locais bem distantes, sem problema. A tecnologia os aproxima, evitando perda de tempo e atrasos. 

REPRESENTATIVIDADE
Quando seria possível realizar um grupo de discussão, por exemplo, com produtores rurais de diferentes locais?  Tornou-se fácil a reunião de moradores de meia dúzia de cidades de uma região metropolitana, para discutir sua integração. Assim como equilibrar a presença de representantes de bairros equidistantes de uma cidade. E trazer à mesa virtual membros das classes altas, com menor disponibilidade para esse tipo de pesquisa. 

AMBIENTES: FÍSICO X VIRTUAL
As salas de dinâmica grupal eram conhecidas pelos espelhos, através dos quais técnicos e contratantes da pesquisa observavam, ocultos, o andamento da reunião. Com a evolução, basta o envio de um link para liberar o acompanhamento de onde estiverem sem perda de conforto.
Ao longo de décadas de uso de espelhos, descobriu-se que eles criam um ambiente padronizado, artificial e estranho, onde os participantes são inseridos. A espontaneidade, ponto crucial da metodologia qualitativa, reduz-se e até constrangimento é gerado. Essas reações ao ambiente de laboratório deixam de acontecer quando o convidado encontra-se acomodado no seu próprio território.

CUIDADOS
A internet pode provocar desvantagem, conforme o provedor ou a região. A deficiência da internet pode interferir no andamento da sessão. O ideal é que o participante disponha de acesso com qualidade razoável e um bom notebook, embora possa usar um celular atualizado. A falta de alfabetização digital não é mais problema. A maioria da população já aprendeu a conversar por meio de recursos digitais e manipula vídeos.  Muitos conhecem a educação à distância e vários trabalham em home office. Esses já sabem que o local para reuniões deve ser silencioso, sem interferências. 

QUEM PESQUISA, SABE
O Instituto Bonilha planeja e executa pesquisas quantitativas e qualitativas com o objetivo de conhecer e  compreender cientificamente os fatos e as tendências da realidade social, política e econômica. Utiliza métodos e técnicas clássicas associadas às  contemporâneas. Pergunte: contato360@bonilha.com.br

Pesquisas qualitativas (profundidade) diferem das quantitativas (extensão), mas se complementam na descoberta de caminhos para o sucesso (insights).



Os institutos de pesquisa que dominam os métodos e técnicas de conversação remota com os eleitores são os únicos que podem conduzir estudos eleitorais rápidos, confiáveis e personalizados - base para a criação de estratégias de sucesso que garantem ao político a principal cadeira da prefeitura.

Indispensáveis para a modelagem de diferenciais para as campanhas eleitorais e para a criação de proposições a serem feitas pelos candidatos, as pesquisas eleitorais, conduzidas como nos "velhos tempos", por meio de contatos pessoais, tornaram-se um serviço raro e demorado, prejudicadas pela duração e consequências da pandemia. Com isso, até mesmo os eleitores perdem uma importante fonte de informação sobre o andamento das eleições no seu município, sobre o potencial dos candidatos a prefeito e a respeito das suas pretensões.

Pesquisa qualitativa. Grupos focais remotos. Todo mundo na telinha.Adicionar legenda



Como todos percebem, as eleições provocam sentimentos negativos: antipatia por candidatos, descrença em propostas, frustração com as instituições democráticas, pessimismo sobre mudanças. Eleição após eleição as pesquisas evidenciam a crença de que os candidatos não são “grandes coisas” e sempre dão um “jeitinho para se reelegerem”. Quanto aos novos, esses adquirem velhos comportamentos, sendo apenas “mais dos mesmos”. Quando a pesquisa indaga a razão da escolha, a resposta corriqueira é: “voto no menos pior”.

TRANSIÇÃO
Como encontrar algo de bom nessa malquerença do eleitor? As eleições têm um lado positivo? Há razões para esperança. Uma tendência se forma e traz ânimo. A superpopulação planetária e seus super problemas estão a exigir medidas abrangentes e independentes da vontade de políticos autóctones. Eles contribuem pouco, ora agindo inspiracionalmente, ora colocando-se a serviço de interesses estranhos. Todavia, soluções estão brotando de laboratórios, centros de pesquisa, universidades e de instituições globalizadas. Elas concebem formas inovadoras de combate aos males, a partir de questões comuns aos países, compartilhando com eles recursos e experiências exitosas.

POLÍTICOS
O panorama é desafiador. Ele requer dos políticos da década número dois, competências e atitudes, corajosas e compatíveis com uma interação diferenciada com a sociedade e o planeta. Como essa esperança pode se concretizar? A resposta está contida na palavra da moda: mindset. O primeiro passo de um político producente seria submeter o próprio cérebro a um setup consciente, que o habilite a atuar em consonância com os imperativos da realidade. Treinar e domesticar a mente para substituir perspectivas, desaprender reminiscências, convergir propósitos pessoais com os coletivos, refrescar a network trazendo companhias afinadas com o novo posicionamento, ampliar a sinergia com o eleitorado, colocar o cidadão no centro de tudo, construir alianças voltadas à ação, aprofundar a compreensão dos fatos da política e da sociedade - tendo frequentemente em mãos pesquisas de opinião, estudos sociais e informações tecnológicas. Esse personagem, sem necessariamente ser super-herói, poderia ser chamado de Político 2.0.

CAMPANHAS
O segundo passo acontece no âmago da campanha eleitoral. A receita da transformação está condensada na palavra: reshape. Essa remodelagem prevê o abandono da ideia da “campanha safári”, envolvendo caçadores de votos, ou da “campanha rodeio”, destinada a laçar eleitores pela retórica vazia. Ao invés, concebê-la como um projeto colaborativo, de amplo interesse social, pois dele depende a reversão para um presente melhor e o avanço para um futuro promissor. Não é recomendável o transplante de experiências anteriores, de outras campanhas, mesmo vitoriosas. Seus integrantes devem resistir à tentação do “funcionou antes” e do “seria legal fazer”. O planejamento de ações e de plataformas de propostas requer orientação por valores bem articulados. A execução obedeceria a diretrizes tecnicamente embasadas, norteada por princípios científicos. É no ambiente da campanha que o Político 2.0 consolida seu mindset. Viabiliza-se ao experimentar um ambiente de reflexão técnica sobre a atualidade, de discussão dos atributos necessários para o exercício do cargo e de exercícios para um diálogo efetivo com a comunidade.

REMODELAGEM
A repaginação mental dos políticos e a renovação do design das suas campanhas são condicionantes para uma nova fase de confiança e otimismo. Por isso, “campanhas relâmpago” desservem o sistema político. Ao contrário, precisam de mais tempo, o suficiente para incutir-lhes preparo moral, intelectual e profissional. É na convivência duradoura com times competentes que o Político 2.0 aprenderá a substituir as respostas antiquadas para antigas dificuldades por melhores práticas. E a identificar os problemas vindouros, precavendo-se contra os impasses imprevisíveis ou contingenciais. 

A história, mais uma vez, baixou sua cancela, impondo limite ao avanço das desídias, egoísmos e despreparos. Mas oferece passe livre para aqueles que, legitimados pelo voto, usam da prerrogativa do cargo para serem protagonistas de grandes missões guiadas por visões de vanguarda. Abre oportunidade para os Políticos 2.0. Que venham!

Eleições 2020 aguardam Políticos 2.0



Visibilidade online tem sido uma condição perseguida pelas empresas, para ações de propagação de marcas e produtos, tão logo a internet se popularizou. Recentemente, os políticos mais instruídos em marketing se conscientizaram sobre a indispensabilidade dos canais digitais para seu branding. Em vez de bradarem usando meios de comunicação tradicionais, que passam por disrupção, reforçam a aproximação com os cidadãos usando da nova mídia.

Para ampliar a audiência e conquistar maior aceitação, a partir das surpresas das últimas eleições, muitos se tornaram fanáticos pelo “rock social midia every moment”, seguindo o modelo Trumpamericano.

Nesse contexto, o eleitorado, é bombardeado crescentemente a cada minuto, ora por conteúdos persuasivos bem-intencionados, ora por mensagens cuidadosamente esculpidas com fins de manipulação. Elas desembarcam nos celulares e notebooks em vários formatos, inclusive fakes, incentivando diferentes públicos à interatividade. Capturam um tempo considerável dos eleitores que, viciados em estímulos frequentes, as acessam várias vezes por dia.

Os blábláblás dos políticos, antes circunscritos à televisão, rádio e jornais impressos, discursos e comícios, espraiaram-se pelos canais de mídia digital. Geram contrapartidas dos eleitores que, criando ou respondendo comentários, disseminam longas réplicas, comprovações com fotos, vídeos e frases ou simplesmente clicam sobre emoticons.

Essa parte do ecossistema digital, caótico, vem sendo objeto de estudos e de tentativas de regulamentações oficiais. No entanto, para os marketeiros, a presença dos políticos na internet torna-se desafio e oportunidade: encontrar formas de neutralizar ameaças de fontes adversárias aos seus clientes e explorar seu potencial para fortalecer suas reputações.

Um levantamento do Instituto Bonilha, referente ao mês de maio, constata que a presença dos prefeitos municipais do sul do país no mundo virtual, em meio a tudo isso, é inexpressiva, especialmente se comparada com a do prefeito de São Paulo. Expõe que, contudo, entre os três sulinos, o prefeito de Curitiba pontua com relevância frente aos de gestores de Florianópolis e Porto Alegre. A fraca aparição da trinca deve-se à presença em perfis sem força de multiplicação de conteúdo (individuais ou acentuadamente locais) e à ausência nos perfis influenciadores (como G1, UOL, grandes jornais web, blogueiros famosos ou institucionais).

O gráfico compara as proporções das métricas de cada um, por plataforma, contabilizando apenas os posts ou peças presentes em perfis mais influenciadores, não distinguindo entre veiculações orgânicas ou pagas. Nem leva em consideração a natureza da mensagem, se positiva ou negativa, do ponto de vista de conteúdo ou dos sentimentos envolvidos. Essas variáveis compõem outras seções do estudo do Instituto Bonilha.

Comparativo entre os prefeitos Gean Loureiro (Florianópolis), Nelson Marchezan (Porto Alegre) e Rafael Greca (Curitiba) revela presença fraca nas plataformas sociais. (Fonte: Instituto Bonilha).


Os partidos sempre foram vistos negativamente pelos eleitores ou, pelo menos, não tinham nenhum valor para eles. Neste momento, desfrutam de uma reputação EXTERNA péssima. A novidade é: a imagem negativa começa a corroer os partidos também INTERNAMENTE. Constata-se que as lideranças partidárias municipais estão mantendo relações frias com as lideranças maiores e diretórios estaduais. Frustrados com a mudança do panorama político e partidário, não esperam muito deles. Enfraquecidos e desprestigiados estão conservando toda a energia para o fito de sobreviver e não para desperdiçar em lealdade. O pouco que lhes é oferecido e o muito que lhes é sugerido não provoca impacto na atitude dos membros locais. Com vistas a 2020 disputam entre si as oportunidades, desconfiam das tentativas de diálogos e negociações dos líderes top e recebem com receio propostas e planos vindos de cima, com medo de que contenham algum grau de ilicitude.

Os partidos políticos estão partidos e perdidos. Irão se recompor e achar um caminho?