Vivemos cercados por conteúdos, dados e opiniões. O verdadeiro desafio já não é apenas encontrar informação, mas saber o que fazer com ela. Uma base teórica sólida oferece justamente essa possibilidade: organizar o que aprendemos sem eliminar a abertura para o novo.

No fim, aprender com profundidade não significa saber tudo sobre um assunto. Significa desenvolver uma estrutura capaz de receber novas informações, interpretá-las criticamente e conectá-las de maneira coerente. É dessa forma que construímos um conhecimento ao mesmo tempo singular e rigoroso — orientado pelos nossos interesses, sustentado por boas teorias e continuamente ampliado pelas descobertas que fazemos ao longo do caminho.

Por exemplo, dados obtidos por meio de pesquisas de opinião ou de mercado, transformam-se em informação, mas seu valor permanece limitado se não forem organizados e interpretados à luz de um plano teórico. É essa estrutura que permite selecionar o que é relevante, estabelecer relações entre evidências e transformar descobertas isoladas em compreensão significativa. 

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Sem uma base teórica, acumulamos informações. Com ela, construímos conhecimento.



A colaboração entre a Investigação Apreciativa e a abordagem do Oceano Azul, aliada às técnicas qualitativas e quantitativas da pesquisa de mercado, gera uma sinergia poderosa. Enquanto a Investigação Apreciativa identifica pontos fortes e experiências positivas da organização, a abordagem do Oceano Azul identifica oportunidades de mercado não exploradas. A pesquisa de mercado qualitativa e quantitativa fornece insights precisos sobre as necessidades dos clientes, demandas não atendidas e análise da concorrência, permitindo que a estratégia resultante seja baseada em dados sólidos e ofereça uma proposta de valor única e competitiva.

O QUE É A INVESTIGAÇÃO APRECIATIVA?

A Investigação Apreciativa (Appreciative Inquiry) é uma abordagem que pode ser enquadrada como uma metodologia e um conceito no campo da gestão organizacional e do desenvolvimento humano. Foi desenvolvida por David Cooperrider e Suresh Srivastva na década de 1980.

Essa abordagem se concentra em identificar e ampliar os aspectos positivos e bem-sucedidos de uma organização ou de um sistema, em vez de se concentrar nos problemas e deficiências. A Investigação Apreciativa baseia-se na premissa de que uma organização pode evoluir e prosperar ao identificar e solidificar seus pontos fortes, em vez de corrigir suas fraquezas.

Como metodologia, a Investigação Apreciativa envolve um processo sistemático de descoberta, sonho, design e destino - também conhecido como ciclo 4D. Nesse processo, os participantes são encorajados a refletir sobre experiências passadas positivas, imaginar um futuro desejado e criar estratégias e ações para alcançá-lo.

A Investigação Apreciativa pode ser aplicada em várias áreas do conhecimento, incluindo gestão de recursos humanos, liderança, mudança organizacional, desenvolvimento de equipes e resolução de problemas. Ela promove uma abordagem positiva, colaborativa e voltada para soluções, permitindo que os indivíduos e as organizações alcancem seu potencial máximo ao alavancar seus pontos fortes e recursos positivos. 

O QUE É O OCEANO AZUL?

Oceano Azul é uma abordagem estratégica que pode ser enquadrada como um conceito e uma metodologia no campo da estratégia empresarial. Foi introduzido por W. Chan Kim e Renée Mauborgne em seu livro Estratégia do Oceano Azul (Blue Ocean Strategy), publicado em 2005.

Essa abordagem se concentra na criação de novos espaços de mercado, onde a concorrência é irrelevante ou inexistente. Em vez de competir em mercados saturados e disputados (chamados de "oceano vermelho"), a estratégia do oceano azul busca a criação de um novo mercado, onde a empresa pode operar em condições menos competitivas e aproveitar oportunidades de crescimento significativas.

O conceito do oceano azul sugere que as empresas devem buscar a inovação, a diferenciação e a criação de valor para os clientes, ao invés de competir puramente com base em preço ou características existentes no mercado. A metodologia envolve a identificação de demandas não atendidas ou mal atendidas pelos concorrentes e a formulação de estratégias para criar e capturar valor nesses espaços de mercado não explorados.

Embora a estratégia do oceano azul se relacione principalmente com a área de estratégia empresarial, ela também envolve conceitos e práticas de marketing, inovação e gestão de negócios. Essa abordagem procura proporcionar um novo paradigma para a criação de vantagem competitiva sustentável, abordando aspectos como posicionamento estratégico, segmentação de mercado, criação de valor e diferenciação. 

O QUE É A PESQUISA DE MERCADO?

A pesquisa de mercado desempenha um papel fundamental na combinação da Investigação Apreciativa e a abordagem do Oceano Azul, fornecendo insights valiosos e dados fundamentais para a formulação da estratégia. Aqui estão algumas contribuições e o papel da pesquisa de mercado nessa combinação:

Identificação de demandas não atendidas: a pesquisa de mercado ajuda a identificar demandas não atendidas ou mal atendidas pelos concorrentes. Usando seus recursos é possível compreender as necessidades, desejos e preferências dos clientes, bem como suas insatisfações e problemas não resolvidos. Levanta informações essenciais para identificar oportunidades de criação de valor e desenvolver estratégias de diferenciação.

Análise da concorrência: a pesquisa de mercado permite analisar a concorrência e entender o posicionamento, as estratégias e os pontos fortes dos concorrentes existentes. Isso ajuda a identificar áreas onde os concorrentes estão competindo intensamente (oceano vermelho) e encontrar espaços onde a organização pode se diferenciar e criar um oceano azul. A análise da concorrência fornece insights valiosos sobre lacunas no mercado e possíveis vantagens competitivas.

Validação de hipóteses e ideias: a pesquisa de mercado desempenha um papel importante na validação de hipóteses e ideias geradas pela Investigação Apreciativa e pela abordagem do Oceano Azul. Ela permite testar conceitos, produtos ou serviços em potencial com um grupo de clientes-alvo, coletar feedback e obter insights sobre a viabilidade e aceitação de uma estratégia proposta. Essa validação é crucial para reduzir o risco e aumentar as chances de sucesso na implementação da estratégia.

Monitoramento contínuo do mercado: a pesquisa de mercado também desempenha um papel contínuo na estratégia, fornecendo informações atualizadas sobre as mudanças no mercado, as preferências dos clientes e as tendências emergentes. Esse acompanhamento contínuo ajuda a adaptar e ajustar a estratégia ao longo do tempo, garantindo que a organização continue a atender às demandas dos clientes e se mantenha competitiva.

Em resumo, a pesquisa de mercado complementa a combinação entre a Investigação Apreciativa e a abordagem do Oceano Azul, fornecendo insights sobre as demandas dos clientes, análise da concorrência, validação de ideias e monitoramento do mercado. Essa simbiose permite que a organização tome decisões estratégicas informadas, encontre oportunidades de mercado não exploradas e crie uma vantagem competitiva sustentável

Quer saber mais sobre Oceano Azul e Investigação Apreciativa como abordagens associadas à pesquisa de mercado? O caminho é este: contato360@bonilha.com.br

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A combinação perfeita para criação de estratégias vencedoras: Pesquisa de Mercado + Investigação Apreciativa + Oceano Azul.




Por duas décadas, estive à frente do desafiador plano amostral anual da pesquisa GEM no Brasil, obtendo entrevistas para representar o país no projeto mais relevante sobre empreendedorismo em nível global. O GEM, conhecido como Monitor Global de Empreendedorismo, tem contribuído significativamente para a compreensão do empreendedorismo no mundo desde sua primeira pesquisa em 1999. Criado pela London Business School e pelo Babson College, sua intenção inicial era desenvolver um índice internacional de competitividade empresarial. Por meio de pesquisas representativas realizadas tanto com a população adulta quanto com especialistas em empreendedorismo, a pesquisa  coleta um vasto conjunto de dados, contando com mais de 3 milhões de observações e 36.000 avaliações em 100 países. 

Essa imersão periódica em um projeto de tal magnitude naturalmente leva um sociólogo, como eu, a refletir sobre as diversas formas que o empreendedorismo tem assumido em sua evolução e os diferentes papéis que desempenha no crescimento econômico, benefícios sociais e bem-estar geral. Não há dúvida de que, nos últimos anos, sua relevância aumentou, uma vez que aborda uma ampla gama de atitudes, habilidades e comportamentos necessários para enfrentar desafios urgentes, como mudanças climáticas, migração, desigualdades e crescimento populacional. No entanto, as motivações para o envolvimento em comportamentos empreendedores vão além da contribuição para um mundo melhor, ao incluir objetivos financeiros pessoais e a continuidade de negócios familiares.

Este artigo faz uma breve provocação sobre as conotações do termo "empreendedorismo". Seria um eufemismo, uma expressão com o poder de suavizar, contrariar ou disfarçar fatos negativos ou desfavoráveis enfrentados pelos empreendedores? O empreendedorismo seria uma falácia, emprestando o nome a raciocínios ou argumentos inválidos, incorretos ou enganosos, apesar de aparentarem ser verdadeiros ou persuasivos?

EUFEMISMO?

O empreendedorismo pode ser interpretado como um eufemismo, ao resumir o significado de práticas antigas da produtividade humana e atribuir-lhes  significados novos e míticos. Com isso as dificuldades e desafios enfrentados pelos empreendedores ficam ocultas, ao mesmo tempo em que promove uma ilusão de acessibilidade e suporte.

Instituições governamentais e organizações incentivadoras encorajam iniciativas pessoais nos negócios, promovendo o sonho de se tornar empresário, levando muitos idealistas a se enganarem com as supostas facilidades do empreendedorismo. O uso de um vocabulário sedutor - como inovação, startup, incubadora, franquia, teletrabalho, anjo-investidor, crowdfunding, criatividade, espírito empresarial, network e reinvenção - enfatiza uma visão empolgante, porém artificial e superficial, que não reflete a complexidade da realidade econômica.

Na verdade, diversos conceitos destacam a natureza dinâmica do empreendedorismo em uma economia em constante mudança, e a inter-relação entre eles revela os atributos que os empreendedores precisam adotar para obter sucesso nesse ambiente. A ideia de risco é a mais presente. O empreendedorismo envolve, por natureza, assumir riscos calculados. Em uma economia em rápida mudança, o nível de incerteza e imprevisibilidade costuma ser alto, exigindo que os empreendedores tomem decisões com base em informações limitadas e naveguem por situações ambíguas.

FALÁCIA?

Outra perspectiva crítica sobre o empreendedorismo é considerá-lo uma falácia, especialmente quando é utilizado para encobrir políticas de desregulamentação e redução de gastos para empresas. Ele pode ser manipulado por interesses corporativos, políticos e econômicos para promover agendas específicas. Torna-se objeto de políticas que criam distribuição desigual de recursos e oportunidades, ignorando as possíveis consequências negativas e a falta de equidade.

Além disso, o incentivo ao trabalho árduo sem uma remuneração adequada ou benefícios sociais gera problemas sociais e impactos na saúde física e mental. Assim, também pode ser considerado uma falácia quando utilizado para justificar políticas não inclusivas e de precarização do trabalho.

O empreendedorismo será falacioso ao ocultar as dificuldades e promover uma visão ilusória de vantagens e benefícios. É essencial a conscientização sobre esses aspectos negativos para se promover uma abordagem equilibrada e justa, que leve em consideração a imparcialidade, a sustentabilidade e o bem-estar de todos. Quando gerido de maneira equilibrada, o empreendedorismo traz crescimento econômico com mobilidade social.

EQUILÍBRIO

Apesar dessas críticas, é imprescindível reconhecer que o empreendedorismo está evoluindo, trazendo oportunidades e recursos para aqueles que desejam empreender. Cursos, livros, palestras, eventos, mentoria, consultoria e pesquisas de mercado desempenham um papel importante na disseminação do conhecimento empreendedor, no desenvolvimento de habilidades e na criação de um ambiente favorável. Essas ferramentas fornecem suporte para os empreendedores explorarem seu potencial, adquirirem aprendizado contínuo relevante e se conectarem com outros profissionais do setor. 

Resumindo, é essencial reconhecer os dois lados de cada situação. Enquanto restrições podem apontar o eufemismo como associado ao termo e a falácia em certas narrativas dominantes, também é necessário valorizar o seu potencial  transformador, bem como os impactos sociais positivos.

Prof. Rogerio Bonilha, sociólogo, regente do Instituto Bonilha.

DESTAQUE

O PODER DA PESQUISA DE MERCADO: CONSTRUINDO BASES SÓLIDAS PARA O SUCESSO EMPREENDEDOR

Antes de embarcar em uma aventura empreendedora, é fundamental destacar a importância de pesquisar minuciosamente o mercado. O conhecimento e compreensão do ambiente no qual se pretende atuar são fundamentais para o sucesso de qualquer empreendimento. Realizar uma pesquisa de mercado abrangente e cuidadosa permite identificar oportunidades, compreender as necessidades dos clientes, analisar a concorrência e antecipar tendências. Essa investigação prévia proporciona uma base sólida para tomar decisões informadas e estratégicas, minimizando riscos e aumentando as chances de alcançar resultados positivos. Portanto, a pesquisa de mercado é um passo crucial que todo empreendedor deve dar antes de iniciar sua jornada, oferecendo uma visão clara e realista do ambiente de negócios e contribuindo para a construção de bases sólidas para o sucesso empreendedor.

Empreendedorismo: arte de combinar o sonho com a realidade.




Mercosul no seu aniversário de 30 anos.  Esse Mercosul tão distante das necessidades e tão próximo das aspirações. Para comemorar, alguns eventos virtuais. Um deles, recomendamos, em portugñol, enfoca o Mercosul Político. Um interessante resultado da parceria entre @isapeoficial e a @REDAPPE, que reuniu especialistas e autoridades. O ISAPE é um think tank brasileiro focado em estudos estratégicos e relações internacionais. 

As exposições foram coordenadas por Augusto C. Dall’Agnol @acdagnol seu vice-presidente. Os depoimentos envolveram questões da integração política, econômica e social da região – voltados à Argentina, Brasil, Uruguai y Paraguai.  

Avaliaram a premência de concretização de políticas públicas regionais, mas reconheceram as dificuldades históricas de criar e compartilhar experiências e boas práticas de cooperação. Para conferir a gravação do evento sobre os 30 anos do Mercosul, acesse: https://www.youtube.com/watch?v=YGhg6Cmexzc

MERCOSUL - esperanças vivas aos 30 anos 



O retorno ao trabalho presencial será tema recorrente de agora em diante nas redes sociais. As pesquisas de opinião revelam duas perspectivas dominantes. A primeira é a da necessidade de distanciamento das pessoas e dos ambientes potencialmente vetores do mal generalizado. A segunda, fortalecida pela inicial, é tentadora: a da busca do equilíbrio entre a vida e o trabalho. Ambas têm simpatizantes e opositores. 

Pesquisas registram um forte desejo de retorno aos cenários de produção, mas não apenas isso. As pessoas que, conforme a atividade, puderam trabalhar em casa, querem a incorporação do benefício trazido pela pandemia: manter a liberdade, ampliando a qualidade de vida.

As discussões serão focadas na aspiração de organizar seus próprios horários, conviver com a família e amigos, levar as crianças para a escola, reduzir as horas diárias de trânsito, utilizar novos recursos tecnológicos de comunicação e comparecer menos vezes em pessoa ao serviço.

Muitas empresas, cientes da necessidade de se ajustarem ao novo perfil dos colaboradores, começam a rever seus processos internos e externos. Flexibilidade é a condição para uma rápida adaptação aos novos tempos, onde o balanço entre o remoto e o presencial é crucial. Precisam de um esforço adicional para preparar seus funcionários a superarem os obstáculos trazidos pela mudança. Assim, as pesquisas de clima organizacional, conduzidas junto aos empregados, agregam novos e desafiadores objetivos.

Os debates inevitavelmente ocuparão o tempo de políticos e governantes porque o conceito envolve sujeições às leis, como os riscos de jornada de trabalho sem limites, remuneração inferior, menor estabilidade e redução de benefícios. 

Mídia mundial põe em destaque o retorno presencial. Sim ou não?